O Ministério Público dispensou duas das oito testemunhas no julgamento
contra o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que
acontece no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nesta quarta-feira
(13). Beira-Mar é acusado de mandar matar quatro traficantes rivais em
uma rebelião em setembro de 2002 no presídio de Bangu 1. Entre os mortos
estava Ernaldo Medeiros, o Uê, traficante de facção rival à de
Beira-Mar. Se condenado o traficante pode duplicar seu tempo de
condenação que já ultrapassa os 120 anos de prisão.
Fernandinho Beira Mar é conduzido por um soldado da base militar
em Marandua, no departamento de Vichada, na Colômbia, em 22 de abril de
2001
Foto: Scott Dalton / AP
O julgamento começou com duas horas de atraso porque uma das duas
testemunhas da defesa não foi encontrada. O advogado de Beira-Mar ainda
tentou adiar o julgamento, mas o juiz Fábio Uchôa não permitiu a
manobra. O único depoente foi o traficante Celso Luis Rodrigues, o
Celsinho da Vila Vintém, que na ocasião do crime estava na mesma ala que
Uê e os outros três mortos. “Beira-Mar não estava armado e chegou
depois. Ele estava com um rádio ou telefone, não lembro. Se ele tivesse
matado alguém eu não estaria aqui”, disse Celsinho.
Em seu depoimento, Fernandinho Beira-Mar voltou a negar implicação no
fato. “Estava em outra ala. Só estou aqui pelo meu vulgo (sic), porque
disseram que sou chefe de uma facção”, afirmou, dizendo que nem faz
parte de facção nenhuma. “Só estou sendo julgado porque sou o
Fernandinho Beira-Mar”, afirmou. “Dizem que sou líder, mas como era um
empresário de sucesso no meu ramo de venda de drogas, tinha respeito de
todos”, disse, comparando sua credibilidade no crime à do empresário
Eike Batista: “Todo mundo acreditou nele e ele faliu”, disse.
Beira Mar é apresentado à imprensa em coletiva realizada no
escritório da Polícia Federal em Brasília, em 25 de abril de 2001
Foto: Paulo Negreiros / AP
Enquanto Celsinho falava, o traficante tomava nota para depois
esclarecer pontos que considerava equivocados. Durante seu depoimento,
Beira-Mar por várias vezes confrontou o juiz e os promotores. “É a
primeira vez em 30 anos que vejo um réu fazer anotações”, disse o juiz.
“O MP dispensou as testemunhas que eram agentes penitenciários. Uma
pena, porque eles poderiam esclarecer que eu estava em outra ala”,
disse.
O juiz deu um intervalo no julgamento por volta das 17h30. A segunda
parte do julgamento vai ser do embate entre defesa e promotoria. A
sentença, dada por um júri popular, deve sair por volta da meia noite.
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