Lula e o vice-presidente
Michel Temer sugeriram a Dilma que não deixasse 'na chuva' o filho do
deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), para não criar novo foco de rebelião
A portas fechadas, o ex-presidente
avaliou que a estratégia montada para atrair os aliados rebeldes,
entregando o Ministério da Saúde - hoje com o PT - à bancada do PMDB na
Câmara deu fôlego para Dilma barrar pedidos de impeachment no Congresso.
Além disso, para não contrariar nenhuma ala do PMDB, Dilma cogita
deixar de lado a fusão das Secretarias de Portos e Aviação Civil. Com
isso, o partido poderá ficar com seis ministérios, e não mais cinco,
como previsto inicialmente.
O favorito para Saúde é o deputado Manoel Júnior (PB), homem da
confiança do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Nessa nova
configuração, o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, deve
permanecer no cargo e Helder Barbalho, hoje na Secretaria da Pesca, pode
ser deslocado para Portos. A Pesca será abrigada no Ministério da
Agricultura.
Lula e o vice-presidente Michel Temer
sugeriram a Dilma que não deixasse "na chuva" o filho do deputado Jader
Barbalho (PMDB-PA), para não criar novo foco de rebelião. Os ministros
Eduardo Braga (Minas e Energia) e Kátia Abreu (Agricultura) continuam em
seus postos. Henrique Eduardo Alves (Turismo), também ligado a Cunha,
deve seguir no posto.
À noite, Dilma convidou o PDT para
assumir o Ministério das Comunicações. O convite foi feito ao presidente
do partido, Carlos Lupi. A bancada do PDT na Câmara pretende indicar
para o cargo o deputado André Figueiredo (CE).
O PDT controla hoje o Ministério do
Trabalho, que será fundido com Previdência. Insatisfeito com o governo, o
partido vinha mantendo uma posição de "independência" na Câmara. Embora
o PT vá perder Comunicações - cargo estratégico para a legenda, que
defende a regulamentação da mídia -, Ricardo Berzoini, titular da pasta,
assumirá a Secretaria Geral da Presidência, que cuidará da articulação
política do governo com o Congresso.
Lula também propôs à sucessora que
adiasse por alguns dias o anúncio da reforma ministerial, previsto
inicialmente para ontem Ele argumentou que Dilma deveria "amarrar bem"
os acordos, uma vez que a ideia é por agora nos ministérios "quem tem
voto" e pode ajudar o governo no Congresso. "Você não pode errar",
insistiu ele.
Depois que a presidente concordou em
transferir a Saúde para o PMDB na Câmara, o Palácio do Planalto venceu
uma batalha no Congresso e conseguiu manter importantes vetos a projetos
que aumentavam o rombo nas contas públicas.
Foi com esse diagnóstico que Lula
pediu a ela que se aproximasse mais de Temer, que comanda o PMDB; do
presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e de Cunha,
oficialmente rompido com o governo.
Apesar de lamentar a substituição do
ministro da Saúde, Arthur Chioro (PT), Lula observou que o PMDB é
crucial para garantir a governabilidade. Além disso, na opinião do
ex-presidente, Dilma precisa conversar com todos os aliados e até com
movimentos sociais, para não deixar insatisfeitos pelo caminho, antes de
acertar o primeiro escalão.
Dilma viajará nesta quinta-feira para
Nova York, onde participa da Assembleia Geral da ONU, e só retornará na
terça-feira, dia 29. Diante disso, o anúncio da reforma, que vai cortar
dez ministérios, pode ficar para a semana que vem. Na tentativa de
fechar as mudanças, a presidente passou o dia e a noite de quarta numa
verdadeira maratona de negociações, no Alvorada, e nem despachou no
Planalto.
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